Como Utilizar um Japamala


Usar um japamala vai além de um acessório bonito ou de uma moda.
Trata-se de um instrumento sagrado, com forte carga simbólica e energética. Cada japamala carrega intenções, propósitos e propriedades específicas, dependendo dos materiais que o compõem. Mas afinal, existe uma forma correcta de o usar?
A resposta é: sim e não. Não existe uma regra absoluta e inflexível sobre como usar o japamala, seja no corpo ou em práticas espirituais, mas existem orientações tradicionais que ajudam a guiar o uso correto e respeitoso. Vamos por partes:


O Japamala como instrumento de meditação

O japamala é, antes de mais, um contador espiritual. Serve para acompanhar a repetição de mantras (japa), ajudando a manter o foco, a regular a respiração e a criar um ritmo meditativo.
Cada conta representa uma repetição do mantra, e o acto de passar as contas entre os dedos tem um efeito calmante e profundamente centrador.

Durante a prática:

  1. Escolha um mantra – repita o mesmo mantra do início ao fim do ciclo. Um japamala é geralmente consagrado a um só mantra por vez, absorvendo a sua energia. Se pretender recitar outros mantras, é recomendado fazê-lo com outro japamala.

  2. Segure com a mão dominante, entre o polegar e o dedo médio (o dedo indicador não deve tocar no japamala, pois representa o ego).

  3. Comece na conta Meru (ou Guru) – é a conta principal, que marca o início e o fim do ciclo. Não deve ser tocada nem ultrapassada.

  4. Percorra conta a conta, recitando o mantra em cada uma. Ao chegar novamente ao Meru, vire o japamala e continue no sentido inverso, se desejar prosseguir.

  5. Pulseiras de 9, 12, 18, 27 ou 36 contas – devem ser contadas as vezes necessárias para atingir 108 repetições.

  6. Japamalas com divisões – em modelos tibetanos com divisões a cada 27 contas, pode fazer pausas nesses pontos. Se o japamala tiver 108 contas seguidas, deve completar o ciclo completo antes de parar.

  7. Prática contínua – para maior sintonia, recomenda-se usar o mesmo japamala com o mesmo mantra durante 40 dias seguidos.

  8. Durante o sono – deixar o japamala próximo (por exemplo, debaixo da almofada) pode intensificar a ligação energética com a prática.


Como usar o japamala no corpo

O japamala é uma ferramenta viva, usada por monges e praticantes a qualquer hora do dia, tanto em meditação quanto em atividades quotidianas. Usá-lo no corpo é natural e faz parte da conexão contínua com a energia da prática e da intenção espiritual.
Usar o japamala pendurado ao pescoço é uma forma prática e simbólica de se manter ligado à energia da prática. Alguns praticantes usam-no durante o dia como lembrete silencioso da sua intenção.
Japamalas de pulso (com 18, 21 ou 27 contas) são excelentes para trazer a prática para o dia-a-dia. Também pode enrolar um japamala completo de 108 contas no pulso, com cuidado para não o apertar nem danificar. A franja (tassel) pode ser escondida entre as contas para evitar desgaste e sujidade.

Qual o pulso ideal? Na tradição indiana, o japamala é frequentemente usado no pulso direito. No Tibete, é comum vê-lo tanto no pulso direito como no esquerdo. Algumas abordagens contemporâneas, especialmente dentro da Nova Era, sugerem usá-lo no pulso dominante, por ser o mais ativo. No entanto, mais do que seguir uma regra rígida, o mais importante é usá-lo de forma intuitiva — escolha o lado que lhe parecer mais natural.

Sendo um objeto sagrado e poderoso, há momentos e lugares em que é recomendável não usá-lo, por respeito à sua energia e à tradição. Por exemplo, evita-se usá-lo em ambientes considerados impuros ou desrespeitosos. Não é usado durante exercícios físicos e deve ser retirado ao lavar as mãos ou tomar banho.


O tempo na prática da meditação com o Japamala

Na tradição tibetana e em muitas outras linhagens espirituais, os números relacionados ao tempo de prática têm significado simbólico e energético profundo. Diz-se que a consistência na meditação cria transformações graduais, que se refletem tanto no corpo quanto na mente e no espírito.

  • 21 dias: Um ciclo muito citado é o de 21 dias. Diz-se que praticar diariamente durante 21 dias é suficiente para que o padrão energético comece a mudar e se estabeleça uma nova tendência interior. É o início da formação de um novo hábito energético e mental.

  • 40 dias: Alguns praticantes e tradições mencionam o período de 40 dias como tempo ideal para criar uma ligação profunda com o japamala e com a prática do mantra, ajudando a solidificar a conexão energética e espiritual. Embora este número apareça com frequência em contextos modernos, a sua origem específica é menos documentada nas fontes tradicionais tibetanas.

  • 90 dias: Em muitas tradições, 90 dias correspondem a uma transformação mais sólida, na qual a prática deixa de ser apenas um hábito e se torna uma filosofia de vida, um modo de ser. Neste estágio, as mudanças já são percebidas com maior clareza e profundidade.

Estes números servem como guias simbólicos para apoiar a perseverança e a paciência no caminho espiritual. Mais importante do que cumprir exatamente esses períodos, é manter uma prática regular, consciente e respeitosa consigo mesmo.


Cuidados a ter com o Japamala

O japamala é um objeto sagrado e pessoal. Alguns cuidados a ter para preservar a energia, integridade e durabilidade do seu japamala:
    • Não deve ser emprestado nem tocado por outras pessoas, a menos que seja por um motivo importante. Nesse caso, recomenda-se uma limpeza energética imediata.
    • Limpar energeticamente o japamala com alguma regularidade ou sempre que necessário. Veja como aqui .
    • Não expôr a sujidade, desorganização ou ambientes negativos.
    • Guardar em local especial, altares, caixas de madeira ou outro material natural, gaveta ou saco de proteção (sempre que não estiver em uso).
Para mais recomendações de cuidados a ter com o seu japamala, leia mais aqui.


Prática com Intenção

Mais do que seguir um ritual à risca, a relação com o japamala deve ser construída com intenção, respeito e constância. Tal como acontece com os cristais ou outras ferramentas espirituais, é a sua ligação pessoal com o objecto que o transforma num verdadeiro instrumento de poder interior.



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