Natal no Budismo


"A minha religião é muito simples. A minha religião é a gentileza" - Dalai Lama


No Natal, ficamos encantados com as decorações maravilhosas, com as luzes cintilantes, com os misteriosos presentes embalados nas mais diversas formas e cores, árvores de natal ricamente decoradas, azevinhos, coroas de natal,...

Para os budistas, de qualquer parte do mundo, seja no oriente ou no ocidente, é-lhes muitas vezes, nesta época, colocada sempre a questão "os budistas celebram o natal?". Claro que sim. Mas como é que um não-cristão pode comemorar o natal?


Muitos budistas ocidentais foram criados em famílias católicas e sempre comemoraram esta época com uma árvore de natal e todos conheciam a história do nascimento de Jesus Cristo. A maioria mantém a tradição, mas que é celebrada de uma maneira não-cristã.


Cristo, o Bodhisattva

Os budistas acreditam que Jesus Cristo exemplificou o que é chamado de Bodhisattva na tradição budista mahayana. Um bodhisattva é aquele que renunciou ao seu próprio benefício para ajudar os outros e é perfeito em compaixão, bondade e amor por todos os seres. Jesus, definitivamente, ajudou os outros de uma forma que ainda hoje nos inspira a sermos mais compassivos, amorosos e bondosos não só para com os outros, mas também para connosco.

Então, para os budistas, Jesus é uma benção para esta Terra.

O conhecido monge budista vietnamita Thich Nhat Hanh, escreveu um livro que se tornou bastante popular intitulado "Buda Vivo, Cristo Vivo", que ajuda a explicar como as duas tradições se podem complementar e compartilhar entre elas crenças semelhantes (como a compaixão).

Para um budista da tradição mahayana, o objectivo da sua prática é tornar-se um bodhisattva. A expressão utilizada para esse desejo é chamada de Bodhicitta. Muitos praticantes e monges fazem o "voto do Bodhisattva" para reforçar este compromisso:

"Os seres são inumeráveis. Faço o voto de salvá-los.

Os desejos são inesgotáveis. Faço o voto de extingui-los.

Os portais do Dharma são ilimitados. Faço o voto de apreendê-los.

O caminho do Buda é insuperável. Faço o voto de me tornar esse caminho."

Tornar-se um bodhisattva não é como se tornar um deus. Um bodhisattva mora no aqui e agora a trabalhar arduamente para ajudar todos os seres vivos. Jesus Cristo abraçou a missão de libertar quem desejasse a salvação e não abandonou ninguém, mesmo aqueles já estão no inferno. Esta é sempre uma história interessante sobre a forma como no budismo se vê um bodhisattva - vivemos activamente no "inferno" no nosso mundo (não aquele que se lê na bíblia, mas sim aquele que criamos) e o bodhisattva trabalha activamente para nos ajudar e libertar desse mundo de ilusão.




Árvore de Natal

Os budistas podem ter pinheiros decorados dentro de casa, mas podem estar ou não relacionados com o Natal.

A maioria das pessoas sabe que a árvore de natal era na verdade uma tradição pagã durante o solstício de inverno, que nenhum cristão, inicialmente quis adoptar (na verdade foi até proibida pela igreja). Só depois de ser publicado numa revista um artigo que divulgava que a rainha Vitória tinha uma árvore de natal é que a ideia se popularizou e por volta do ano 1800 já se estava a dar início a uma tradição entre a população americana. Até o dia de natal acontecia durante o popular solstício de inverno pagão (o dia 25 era o "regresso do sol"). Não se sabe ao certo em que dia Jesus Cristo nasceu e a data que conhecemos foi decidida já que existia uma aprovação estabelecida pela igreja que permitia mudar uma celebração pagã para uma celebração cristã.

Um feriado popular, o dia Bodhi, é também comemorado em Dezembro e dura 30 dias para celebrar a iluminação do Buda. As luzes coloridas das árvores de natal cristãs são, nesta celebração budista, usadas em figueiras. Embora muitos budistas ocidentais possam ter um pinheiro decorado em casa, em muitos casos, são utilizados em substituição da figueira e para celebrar a iluminação do Buda.

Portanto, ter uma árvore de natal é bastante aceitável para os budistas. O budismo aceita outras religiões e absolutamente não incomoda a filosofia budista.


Presentes

Quando se trata de oferecer presentes, os budistas olham para São Nicolau (que muitas pessoas acreditam ser o Pai Natal) como alguém que se assemelha aos seus valores:

O altruísmo e compaixão que São Nicolau trouxe às crianças são algo que faz parte do budismo: o acto altruísta de caridade e bondade sem esperar nada em troca. Os budistas são muito cuidadosos na escolha dos presentes que oferecem aos outros e procuram sempre que sejam simbólicos e não prejudiciais. Como exemplo, um budista nunca ofereceria uma popular arma de brincar a uma criança numa época em que se pretende demonstrar paz para toda a humanidade.

O amor, sacrifício, ensinamentos de amor e a bondade de Jesus Cristo é o tipo de gestos que fazem os budistas ficar com lágrimas nos olhos. Para os budistas importa acima de tudo a forma como nos conectamos e ajudamos uns aos outros. Assim, como o Buda, também Jesus (500 anos depois), acolheu todo o tipo de pessoas de várias origens ao longo do seu caminho. Jesus não se importava com o passado, mas para onde estava a ir. Buda e Jesus têm muito mais em comum do que muitas pessoas pensam.

No que toca a presentes, Jesus e Buda também ofereceram os seus à humanidade:

Enquanto Jesus promoveu a salvação e o paraíso após a morte, Buda promoveu a salvação interior e o paraíso no aqui e agora.

Buda ofereceu os seus ensinamentos, que foram a sua explicação de como a vida funciona. Parte desse presente somos nós. Somos uma espécie de embrulho e cá dentro está o presente mais bonito do mundo, a iluminação. Só depende de nós rasgarmos o papel (que no budismo é o mesmo que arrancar o falso conceito do "eu"). 


Adoração do Buda (tal como se adora o Menino Jesus)

O Buda histórico, Siddharta Gautama, não é um Deus no budismo, mas O respeitado professor e acima de tudo um ser humano.

O Buda disse a todos que era apenas um homem que havia encontrado o sentido da vida e o fim do sofrimento (a iluminação). Nunca afirmou ser um deus, divindade ou ser espiritual.

Podemos ver vários budistas a curvarem-se perante uma estátua do Buda, mas como um gesto respeitoso para com o seu professor, não como uma adoração a um ídolo. Nos países asiáticos, os estudantes de vários lugares, curvam-se em sinal de respeito e humildade ao professor. Buda não é diferente.

Alguns budistas até fazem oferendas de comida, água e flores a uma estátua do Buda, mas também as oferendas não são em adoração de um deus, mas sim uma prática de altruísmo e compaixão. No budismo esta prática ajuda a despertar e a realçar a bondade interior para que se possa partilhar esse altruísmo e a compaixão com todos.


O que um budista faz no natal?

Um budista continua as suas práticas compassivas, atenciosas, bondosas e respeitosas para com os outros. Budistas no ocidente abraçam outras tradições e actividades festivas relacionadas com outras religiões sem que isso os incomode. Muitas budistas partilham costumes de familiares que seguem outras filosofias. No fundo o que importa é a paz e o amor que são o que temos de mais valioso e são as luzes mais brilhantes de como devemos estar todos unidos.



Fonte(s): Alan Peto,

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