6 Cuidados Essenciais a ter com o Japamala


Nunca é demais repetir os cuidados a ter com o japamala. Já escrevi sobre este tema antes, mas desta vez quero concentrar-me naquilo que considero serem os cuidados verdadeiramente essenciais.
Independentemente da utilidade que cada pessoa dá ao japamala, seja para meditação e práticas espirituais ou como acessório de moda, todos queremos uma coisa: que o japamala dure para sempre — e sempre com o mesmo esplendor do dia em que o comprámos.
Para que isso aconteça, há que ter cuidados de manutenção.
Continuo a notar uma certa negligência no que toca aos cuidados. Quem reconhece a importância deste objecto sabe que foi escolhido para acompanhar uma jornada ou uma intenção, e que transmite bem-estar e equilíbrio — independentemente da forma como é usado. É um objecto sagrado e, como tal, merece ser cuidado.
Cuidar do japamala é uma forma de autocuidado também.

Recebo japamalas para reparar e sei antecipadamente qual a reparação a ser feita (geralmente sempre a mesma e falarei disto mais à frente), mas gosto de o avaliar sempre ao pormenor.
Um dos aspectos que mais me salta à vista, quando recebo um japamala para reparar, é o seu estado de conservação. Verifico se as contas de madeira estão hidratadas, se as pedras estão brilhantes e com bom aspecto, se há sinais de oxidação nos metais, se o tassel está intacto. E, inevitavelmente, percebo se o japamala foi bem cuidado ou não. Há peças com sinais visíveis de uso intenso, mas que foram estimadas — e outras que chegam bastante danificadas, mesmo sem terem sido muito usadas. Já recebi japamalas ressequidos e com oxidação severa porque foram levados ao banho, inclusive ao mar. A água salgada é particularmente agressiva para a madeira, para os cordões e para os metais. Numa dessas situações, infelizmente, tive de recusar a reparação: a peça estava tão danificada que não havia como recuperar o seu esplendor original. A cliente compreendeu e decidiu devolvê-lo à Terra num gesto bonito e simbólico.
Gosto dos japamalas novos mas também adoro rever aqueles primeiros japamalas que fiz há tantos anos e que entretanto envelheceram. Os próprios óleos da nossa pele oferecem à madeira uma pátina maravilhosa. Algumas madeiras e sementes escurecem naturalmente. A rudraksha é um excelente exemplo de como as sementes escurecidas pelo tempo podem ser tão belas. Mesmo guardadas numa gaveta sem nunca serem usadas, escurecem. É um processo de envelhecimento natural. Há quem fique desagradado, mas tal como nós que ganhamos rugas com o tempo, as madeiras e as sementes também mudam e não há nada que possamos fazer. Temos que aceitar que assim é e acabaremos por perceber que é maravilhoso ver aquele objecto tão pessoal a acompanhar-nos nesta jornada e a mudar como nós mudamos.
Vivo e respiro japamalas do acordar ao deitar. É o que amo fazer e ao longo dos anos fui adquirindo o "olho clínico" para "diagnosticar" os problemas nos japamalas que me chegam e com essa experiência, posso agora, com confiança, enumerar as principais causas desses 'problemas'.
Sem qualquer ordem específica aqui vão elas:


1. Animais domésticos

Os japamalas devem ser resguardados dos animais.
Mesmo que se tenha a certeza que os animais não vão mexer, é sempre melhor prevenir! Eu tinha a certeza que os meus gatos não mexiam... até um dia. Pensando bem agora, desconfio que sempre mexeram... mas nas minhas costas (gatos a serem gatos). Aprendi bem a minha lição. Acabaram-se os japamalas na cabeceira ou pendurados num Buda. Agora guardo-os todos numa pequena gaveta que reservei para o efeito. Claro que tenho os japamalas que ofereci aos meus altares, mas esses estão completamente fora do alcance da gataria.
Guarde os japamalas em locais seguros — numa caixa, numa gaveta ou nos saquinhos de veludo/organza que aqui no Namaskar enviamos a acompanhar cada peça.
E não esquecer: também é importante mantê-los fora do alcance das crianças pequenas, tanto pelo risco de rebentarem o japamala como pelo perigo de engolirem peças soltas.
Conclusão: manter os japamalas afastados dos animais e crianças.


2. O hábito de enrolar o tassel com os dedos

Esta é, sem dúvida, a reparação que faço com mais frequência: substituir o tassel.
Parece um tique inofensivo, mas enrolar o tassel com os dedos repetidamente desfaz tudo num instante. Como artesã, confesso: é um hábito que me tira do sério.
Todos os anos, sem exceção, reparo o japamala de uma familiar que teima em manter esse hábito. Compreendo que tocar nos fios de seda macios e deslizantes possa ser reconfortante — uma forma de aliviar o stress ou a ansiedade, mas o japamala sofre com isso, e não dura muito tempo.
Outra situação comum envolve a altura do tassel quando usamos o japamala ao pescoço (fica mais ou menos pelo umbigo). Já me aconteceu ficar preso numa gaveta — basta não darmos conta de que ficou entreaberta e ao puxar, pode desfiar os fios. Além disso, puxões acidentais ou manuseamento brusco podem, com o tempo, fragilizar o cordão.
Conclusão: evite enrolar o tassel com os dedos e esteja atento a possíveis ‘acidentes domésticos’, como o fecho de gavetas ou puxões que enfraquecem a estrutura do japamala.


3. Perfumes

Não é o primeiro — e infelizmente não será o último — japamala que, mal abro o envelope, perfuma o atelier inteiro e tudo o que estiver por perto. Houve particularmente um que ultrapassou tudo: o japamala precisava de ser reconstruído de raiz e já me doía a cabeça do cheiro intenso que emanava. O perfume era maravilhoso, mas extremamente forte! Roupa, mesa de trabalho, tesouras, alicates — tudo ficou impregnado... durante dias! As minhas mãos, mesmo depois de bem lavadas, continuavam impregnadas. Foi uma reparação com sentimentos mistos: por um lado, tinha a alegria da construção (que adoro); por outro, o desgosto de ver um japamala de sândalo verde — com um aroma natural maravilhoso — a cheirar apenas a perfume sintético. De partir o coração. Não era meu, mas senti que algo nele se tinha perdido para sempre.
Perfumes industriais e águas de colónia contêm álcool que retiram o brilho, desbotam a cor e podem provocar fissuras. Com o tempo, a madeira acaba por partir. O mesmo acontece com as contas de cristal. Já os metais escurecem ou ganham um verdete feio — não é uma pátina natural, é dano mesmo. Os cordões, incluindo o tassel, absorvem o álcool e as fibras ficam fragilizadas, baças e quebradiças.
Usar perfume com o japamala é garantir danos — mais cedo ou mais tarde. Primeiro perdem o brilho; depois, a cor. A madeira fragiliza, os fios ressecam, os metais oxidam. No início ainda se pode tentar hidratar as madeiras com óleo de côco, mas, se o uso de perfumes for contínuo, nenhum cuidado vai resultar. O processo é lento, mas o estrago é inevitável.
Conclusão: não aplique perfumes enquanto estiver com o japamala. Se quiser usar, aplique e deixe a pele secar bem antes de o colocar ao pescoço ou no pulso.


4. Não emprestar nem deixar tocar

Este cuidado não é físico, mas para mim é ainda mais importante: refere-se à manutenção energética do japamala.
A minha intuição diz-me que muitas pessoas já passaram por isto, embora poucas (talvez nem meia dúzia) me tenham contactado para perguntar se é possível que o japamala comece a transmitir mal-estar.
E a resposta é: sim!
Dores de cabeça, cansaço, irritabilidade, tristeza ou sensação de bloqueio foram alguns dos sintomas que me relataram. O denominador comum? Todos esses japamalas tinham sido tocados ou usados por outras pessoas que não os "donos".
Toques inocentes como “é só para ver”, “só para sentir se a pedra é verdadeira”, “só para experimentar” — podem interferir na energia do japamala... e de que maneira! Uma cliente contou-me que, com a melhor das intenções, emprestou o seu japamala a alguém que estava a passar por um momento difícil. Queria ajudar, partilhar algo que lhe fazia bem. Mas, quando voltou a usá-lo, começou a sentir enxaquecas que duraram vários dias. Percebeu então que aquela partilha, embora generosa, tinha deixado marcas energéticas no japamala. E só depois de o limpar energeticamente e profundamente é que conseguiu voltar a usá-lo com conforto.
Por isso, deixo um alerta: não tenha medo de dizer ‘não’. Isso não é egoísmo — é respeito por si, pelo seu objeto e pelo seu propósito espiritual.
E isto não se aplica apenas aos japamalas. Cristais, bijutaria esotérica ou qualquer ferramenta energética pessoal merecem o mesmo cuidado. Há quem use um colar com uma pedra específica, como uma amiga minha que usava uma turmalina negra junto ao pescoço. Bastou que uma pessoa numa feira esotérica lhe tocasse no colar para fazer um comentário pretensamente ‘entendido’, para começar a sentir dores de cabeça e fadiga e deixar de o conseguir usar. Algo que usava todos os dias, passou a ser um causador de mal-estar. Quem realmente compreende as energias jamais tocará em ferramentas espirituais alheias. Pode saber tudo na teoria, mas se toca nos objectos dos outros, não percebe o essencial.
Também já passei por essa experiência. Estava numa feira medieval — adoro essas feiras, sinto que me transportam para casa — quando vi um cristal que me chamou. Peguei nele, senti ligação, e, enquanto ainda olhava para outras pedras, o vendedor interrompeu-me, tocou na minha pulseira e afirmou com arrogância que a opala é uma pedra falsa. O mais irónico é que a pulseira tinha sido adquirida naquela mesma loja no ano anterior. Sabia perfeitamente, no momento da compra, que era uma opala de laboratório — mas isso não lhe retira valor, nem impede que tenha propriedades energéticas e de cura. Aquela abordagem, cheia de julgamento, deixou-me agitada, com o coração acelerado e uma sensação de exaustão. Mal cheguei a casa, passei a pulseira pelo fumo do incenso e intencionei a limpeza. Voltei ao meu centro. Pouco tempo depois a pulseira rompeu e desapareceu. Certamente já tinha  encerrado o seu ciclo comigo.
Tudo é energia. Tudo tem energia. E o japamala, por estar sempre connosco e ser usado com intenção, acaba por captar tudo o que o rodeia.
Conclusão:
não empreste nem deixe que outras pessoas toque nos seus japamalas, cristais ou bijutaria energética. Se não for possível evitar, retire-o e faça uma limpeza energética assim que puder — passando-os pelo fumo de um bom incenso, enquanto mentaliza boas intenções e libertação.


5. Não molhar
Japamala e água não combinam.
As madeiras absorvem e apodrecem; algumas ganham bolor e ficam esbranquiçadas, os metais ficam ferrugentos, baços, ganham verdete, o tassel fica sem brilho, com aspecto "despenteado" e ressequido e os japamalas de cristais perdem o brilho — e alguns, até a cor.
Por isso, para manter o seu japamala bonito e bem conservado por muito tempo retire-o sempre antes do banho, idas à praia e piscinas. Evite usá-lo em ambientes muito húmidos e quando chover tente resguardá-lo o melhor que puder e se não conseguir é preferível retirá-lo e guardá-lo.
Além de quem o usa no banho, há também quem molhe o japamala intencionalmente — e percebo agora porquê. Muitas pessoas seguem os ‘ensinamentos’ de certas lojas esotéricas ou blogues que recomendam a limpeza de cristais com água — e partem do princípio de que o mesmo se aplica aos japamalas. Mas não funciona da mesma maneira. É verdade que podem ser feitas limpezas energéticas à base de água nos cristais, acontece é que este método não se aplica aos japamalas e nem a todos os cristais e isso, muitas vezes nem é mencionado. Pior ainda: há pedras que não podem mesmo levar água e erradamente é aconselhado a utilizar esse método de limpeza.
Conclusão: retire o japamala antes do banho, de uma ida à praia ou à piscina. Proteja-o da chuva e de ambientes húmidos. E, para limpezas energéticas, prefira o fumo de um bom incenso — e nunca a água.


6. Limpezas energéticas regulares
Existem vários métodos para fazer limpezas energéticas — como o sol, a lua, reiki, cristais, entre outros — mas recomendo o mais seguro, prático e eficaz: passar o japamala pelo fumo de um incenso, enquanto o carrega com boas energias através de pensamentos positivos. O aroma não é o mais importante — mas escolham um bom incenso, de qualidade. Certifique-se de que roda o japamala, para que o fumo alcance todas as partes.
Este é o meu método de eleição. E, como reikiana, por vezes utilizo simultaneamente o símbolo chokurei.
O ideal seria limpar o japamala após cada utilização. Mas, como sei que quase ninguém o faz, recomendo pelo menos uma limpeza semanal — ou sempre que o dia não tenha corrido tão bem. Uma vez por mês, pode também deixá-lo ao luar durante a lua cheia — sempre protegido da humidade da noite.
Conclusão: passar o japamala pelo fumo de um bom incenso é um dos métodos mais simples e eficazes de limpeza energética. Deve ser feito com regularidade — e sempre que sentir que algo não está bem.




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