Ganesha, O Removedor de Obstáculos


Ganesha, ou Ganapati, é um dos mais importantes deuses da mitologia hindu, mas também adorado no Budismo e no Jainismo.

Altamente reconhecido pelo seu corpo humano com cabeça de elefante que representam o físico e o espírito, respectivamente.

Ganesha é também a divindade sem forma. Embora seja adorado como o Deus da cabeça de elefante, a forma é apenas para representar o sem-forma, o sem-atributos, o não-nascido. Simboliza a consciência que é omnipresente, a energia da qual tudo se manifesta e em que tudo se dissolve.


Gan significa grupo. O universo é um grupo de átomos e energias diferentes. Sem uma lei suprema que regesse esses diferentes grupos de entidades, o universo seria um caos. O Senhor de todos esses grupos de átomos e energias é Ganesha. É a consciência suprema que permeia tudo e traz ordem ao universo.



De acordo com a mitologia hindu, Ganesha é filho de Shiva e Parvati e irmão de Kartikeya (também conhecido como Kumara), o Deus da Guerra.

Certo dia, Parvati estava em sua casa no Monte Kailash preparando-se para um banho. Como não queria ser incomodada, pediu a Nandi, o touro e guardião do seu marido Shiva, que guardasse a porta e não deixasse ninguém passar. Naturalmente, Shiva ao regressar, quis entrar e Nandi, devendo lealdade primeiro a Shiva, consentiu.

Parvati, zangada e incomodada por não ter ninguém tão leal quanto Nandi a Shiva, decidiu moldar um menino em pasta de açafrão retirada do seu próprio corpo criando assim Ganesha, o seu próprio filho leal.

No banho seguinte, Parvati pediu a Ganesha que guardasse a porta para finalmente tomar um banho sem ser incomodada tendo Ganesha assumido prontamente e fielmente o seu posto. Shiva, ao regressar, deparou-se com um menino desconhecido que lhe negou a entrada em sua própria casa. Furioso e indignado, ordenou ao seu exército que destruísse aquele estranho. Porém, todos falharam! Ganesha recebera de sua mãe incríveis poderes.

Shiva surpreendido com tão fácil vitória do menino perante o seu temível exército, decidiu ele próprio travar uma luta feroz e na sua tremenda fúria, cortou-lhe a cabeça, matando-o instantaneamente.

Parvati ficou tão enfurecida e insultada que decidiu destruir toda a Criação! O Senhor Brahma, sendo o Criador, implorou para que reconsiderasse o seu plano tão drástico ao que Parvati assentiu mediante duas condições: que Ganesha fosse trazido de volta à vida e que fosse sempre adorado antes de todos os outros deuses.

Shiva, reconhecendo o seu erro, concordou com todas as condições de Parvati e pediu a Brahma que trouxesse a cabeça da primeira criatura com quem se cruzasse que estivesse a dormir com a cabeça voltada para norte. Rapidamente Brahma regressou com uma cabeça de um elefante forte e poderoso que Shiva prontamente colocou no corpo do menino que novamente começou a respirar. Shiva declarou então a Ganesha que era seu pai e ofereceu-lhe o estatuto de ser o principal entre os deuses, o líder de todos os Ganas (classes de seres), chamando-o de Ganapati.

Ganesha, ou Ganapati, reconhecido pela sua majestosa cabeça de elefante, tornou-se o Deus removedor de obstáculos. Os elefantes não caminham em torno dos obstáculos nem são impedidos por eles, removem-nos e caminham em frente.


Significado da História de Ganesha

A história de Ganesha parece um conto agradável contado às crianças sem qualquer substância real, mas a verdade é que contém uma poderosa simbologia oculta.

Parvati é uma Devi, Deusa, a própria Parashakti (Deusa Suprema, Energia Suprema ou Consciência Suprema). Fisicamente, reside no chakra Muladhara (o chakra raiz) tal como a Kundalini, a energia da alma e da consciência. Diz-se que quando nos purificamos, livrando-nos das impurezas que nos prendem, o Senhor aparece automaticamente. Por isso, sempre que Parvati se banhava (purificava), Shiva, o Senhor Supremo, aparecia sempre sem avisar.

Nandi, o touro de Shiva, que Parvati enviou a primeira vez para guardar a porta, representa o temperamento divino. Nandi é tão leal e dedicado a Shiva que todo o seu pensamento é dirigido a Ele e é capaz de reconhecer facilmente quando o Senhor, Shiva, está próximo. Esse reconhecimento significa que a atitude do aspirante espiritual é a que obtém acesso à morada da Devi. O devoto deve desenvolver essa atitude antes de se tornar qualificado para receber o mais alto tesouro da realização espiritual que só Devi pode conceder.

Depois de Nandi permitir a entrada de Shiva, Parvati criou Ganesha a partir da pasta de açafrão retirada do seu próprio corpo. O amarelo do açafrão é uma das cores associadas ao chakra Muladhara e Ganesha é uma das divindades que guarda este chakra.

Parvati criou Ganesha para representar a consciência terrestre como um escudo para proteger o segredo Divino das mentes não-amadurecidas. Esta consciência, quando se afasta das coisas mundanas e se aproxima do Divino, como a atitude de Nandi, o grande segredo é revelado.

Shiva é o Senhor, o Professor Supremo. Ganesha aqui, representa o Jiva (a alma individual) ligado ao ego. Quando o Senhor aparece, o Jiva cercado pelo seu ego como uma nuvem escura, geralmente não O reconhece e pode acabar numa discussão ou luta com Ele. É, portanto, dever do Senhor, na forma de Shiva, cortar a cabeça do ego. Um ego tão poderoso, que inicialmente não acatou as instruções de Shiva e nem o exército enviado para o combater conseguiram subjugá-lo.

Parvati ameaçou destruir toda a Criação depois de saber da morte do seu filho Ganesha. Quando o ego morre, o Jiva perde o interesse no seu veículo físico temporário e começa a fundir-se no Supremo. O mundo físico é aqui representado por Parvati. Esta criação impermanente e mutável é uma forma da Devi, à qual o corpo pertence; o Absoluto imutável é Shiva ao qual pertence a alma. Quando o ego morre, o mundo externo, que depende do ego para a sua existência, desaparece juntamente com ele. Diz-se que se quisermos conhecer os segredos deste mundo, que é uma manifestação da Devi, então devemos primeiro receber as bençãos de Ganesha.

A Ganesha é dado o domínio sobre os Ganas, que são classes de seres, que variam de insectos, animais e seres humanos a seres subtis e celestiais. Todos estes seres contribuem para o governo da Criação, para tudo, desde forças naturais como tempestades e terramotos a qualidades elementais como o fogo e a água até ao funcionamento dos órgãos e processos do corpo. No hinduísmo, diz-se que se deve honrar os Ganas, mas ao invés de favorecer cada Gana para receber as suas bençãos, deve-se curvar perante o Senhor Sri Ganesha. Ao receber a sua graça, recebe-se a graça de todos. Ganesha remove qualquer potencial obstáculo e permite que os nossos esforços sejam bem-sucedidos.




Fonte(s): Shiva Purana, Amritapuri


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