Os Cinco Venenos Mentais



"(...) Os Cinco Venenos Mentais, segundo Buda Shakyamuni, são as bases do nosso pensamento ilusório, das nossas acções ilusórias (...)"

Os Venenos Mentais estão directamente relacionados com a Segunda Nobre Verdade que refere os tipos de veneno que nos levam ao apego, a vivermos neste mundo ilusório.


A natureza essencial de um Buda ou de um Bodhisattva reflecte as qualidades esclarecidas das Cinco Famílias de Buda que permeia todos os seres vivos sem excepção. Para alcançar essa realização é necessário abandonar as cinco emoções perturbadoras (os cinco venenos mentais): apego, raiva ou ódio, ignorância, orgulho e inveja. Quando estas emoções são purificadas e removidas, as Cinco Sabedorias brilham.


Para começar, entendamos a emoção perturbadora mais poderosa, a raiva.

A raiva é uma emoção que surge e se desenvolve contra alguém ou algo de que não se gosta. Examinando cuidadosamente, a curto prazo, a ira cria dor e a longo prazo cria danos graves. O poder desta emoção negativa é tão forte que a dor imediata e os futuros danos afectam tanto o emissor da raiva como o receptor e os efeitos duram toda a vida levando à reencarnação em planos inferiores. A raiva intensa leva ao renascimento no reino mais baixo dos infernos onde o sofrimento é intenso. Para nos livrarmos da experiência de dor e reencarnação em reinos inferiores, é necessário superar e eliminar a raiva e o ódio. Uma vez purificada e removida, desenvolvemos gradualmente a percepção da sabedoria semelhante a um espelho em que deixa de existir distinção entre nós e os outros e passamos a experimentar a Unidade e a harmonia. É chamada de Sabedoria Semelhante a um Espelho porque todos os aspectos que surgem na mente são reflectidos como um espelho limpo, completamente exacto e sem distorção. O Buda que detém esta sabedoria é o Buda Akshobhya. Na sua mão esquerda segura um vajra e a sua actividade pacifica as emoções, sobretudo o sofrimento, a doença, a frustração e a tristeza.


Falemos do ego ou orgulho...

O ego é a crença num "eu" que todos nós desenvolvemos desde o nosso nascimento assim que a mente começa a pensar por si mesma. Três tipos de orgulho evoluem neste processo de auto-centramento:

1. Sentimento de que se é melhor em relação aos outros que estão numa situação menos afortunada;

2. Sentimento de que se é superior aos outros falhando na capacidade de perceber a igualdade entre todos;

3. Sentimento de que se é espiritualmente ou materialmente melhor que os outros.

O que é que nos leva a participar neste processo do ego? Viver com a crença de que há uma separação entre o Eu e os outros. Portanto, o ego deve ser eliminado para desenvolver uma mente purificada que experimenta tudo em igualdade e que não distingue entre o puro e o impuro, o bom e o mau, o Eu e os outros. Um ser livre de orgulho realiza a Sabedoria de igualdade que é detida pelo Buda Ratnasambhava cuja sua actividade é de enriquecimento, sendo o seu símbolo uma jóia que tem a capacidade de enriquecer todos os seres vivos.


Outra emoção perturbadora é o desejo ou apego.

O desejo causa sofrimento intenso porque mantém a mente permanentemente inquieta e ocupada. Um ser que valorize mais as coisas, nunca estará satisfeito e ansiará sempre por mais e melhor. Estará continuamente empenhado em alcançar e adquirir os desejos da mente e só experimentará perda e insatisfação. Ao entender e eliminar esta emoção, a terceira sabedoria brilhará, a Sabedoria Discriminante do Buda Amitabha. É com esta sabedoria que se entende, se sente empatia por todos os seres e se aprecia as qualidades dos outros.


A quarta emoção negativa é o ciúme ou inveja.

O ciúme inclui ter inveja da boa sorte, sucesso e riquezas alheias. Impede que um ser realize o seu próprio bem-estar, e como resultado, experiencia mais sofrimento ao desenvolver continuamente mais ciúme por aqueles que alcançaram mais. É uma negatividade que vai acumulando mais e mais. Havendo uma libertação do ciúme, todos os desejos são naturais e são adquiridos sem esforço. É aqui que Buda Amogasiddhi intervém ao remover todos os obstáculos que impedem o sucesso e a formação e maturação espiritual, a Sabedoria de Todos os Êxitos.


Por fim, a ignorância que não reconhece o que é saudável e insalubre falhando no conhecimento da verdade absoluta.

Ignorância é a raiz de todas as emoções negativas. Somente por ignorância é que sentimos raiva. Age-se agressivamente com os outros por ignorância em compreender que a raiva só traz dor e tristeza a todos, incluindo a quem assim age. Da mesma, só por ignorância se sente inveja, orgulho e desejo.

A eliminação da escuridão da ignorância é a função do Buda Vairochana cuja sua sabedoria brilha quando a ignorância é superada. É a Sabedoria Abrangente de Dharmadatu, ou seja, a realização do estado mais elevado.



Fonte(s): "The Five Buddha Families and the Eight Consciousness" de Thrangu Rinpoche, Budismo Tibetano Vajrayana



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